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Home > Poesia > Fadário

Fadário

Tentei! Como eu tentei...
Escondi-me das tristezas do amor
Regredi no tempo para rever história sem fim
Encarnei-me no passado como fuga do presente

Encorporei-me no coração de pessoas infiéis
Quanto mais eu corria, mais eu me atolava
A busca incessante por belas mulheres
Bocas belas a me dizerem mentiras

Contos como os de fadas, acreditei.
Contados a crianças ingênuas, me perdi.
Revoando no escuro, deparando-me com incertezas.
Afoguei-me nas lágrimas, hoje secas

Porém como tudo um dia passa
Ou quem sabe, regressa apenas para rever,
Mostrar fatos já observados e vividos por alguém
Presente. No alvorecer da manhã um novo sofrimento

Quando nos despedimos de alguém
Ficam marcas, manchas no coração
Roubaram suspiros e deixaram a dor
A dor de suportar a própria vida, só

Usurpamos, então, das lições no livro da vida
Resta-nos aprender com os exames
Retratados como o simples raiar do dia
Toda criança antes de falar, aprende a chorar

Hoje, deparei-me com uma inquietante verdade
Por pior que for a dor de amar
Sinto-me só, infeliz, mesmo nas alegrias
Pois gosto do gosto gostoso de gostar de alguém

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