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Home > Poesia > Cristais do tempo

Cristais do tempo

No avarandado, sentado a observar filhos do tempo,
Pego-me na herança que me foi dada: os olhos.
Concluindo ininterruptas passagens e viagens dos egos,
Observara com clareza a clarividência de um pequeno ser
Que ainda em fraldas, observa assustado o mundo vivido.

No avarandado, sentado a observar filhos de um tempo,
Sinto o cheiro dos tempos voando como filhos de Ícaro.
Dialogando as loucas bolas de gude e piões rotativos,
Observei com clareza a natura transformando-se,
Usando aquele ser de pés descalços como luz da infância.

No avarandado observei pingos de chuva
Que com o desenrolar dos sonhos, transformaram-se em raios de sol
Transfigurando sombras e secando o orvalho das tristezas
Observo sede de silêncio calando-se na calada da noite
Hoje bem e sorrindo, amanhã quem sabe numa mágoa e incertezas.

No avarandado, sentado, observo ventos frios e fortes,
Rasgando as têmporas das manhãs e congelando abraços apaixonados
Risos, lágrimas, sonhos desfeitos e esperança nos cabelos.
Observo-lhe indo e vindo, com fé num pequeno espaço de chão
Amarguradamente vive a procura de cristais e brilho de ouro.

No avarandado observarei rugas e novas proles.
Sinto, são filhos do mundo num novo ciclo de vida,
Proliferando ou contaminando, geração após geração, o novo mundo
Observarei seu pó e verei seu leito eterno.
Vive e sonha, viveu e sonhou, encarnado nos cristais do tempo.

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