Cristais do tempo
No avarandado, sentado a observar filhos do tempo, Pego-me na herança que me foi dada: os olhos. Concluindo ininterruptas passagens e viagens dos egos, Observara com clareza a clarividência de um pequeno ser Que ainda em fraldas, observa assustado o mundo vivido.
No avarandado, sentado a observar filhos de um tempo, Sinto o cheiro dos tempos voando como filhos de Ícaro. Dialogando as loucas bolas de gude e piões rotativos, Observei com clareza a natura transformando-se, Usando aquele ser de pés descalços como luz da infância.
No avarandado observei pingos de chuva Que com o desenrolar dos sonhos, transformaram-se em raios de sol Transfigurando sombras e secando o orvalho das tristezas Observo sede de silêncio calando-se na calada da noite Hoje bem e sorrindo, amanhã quem sabe numa mágoa e incertezas.
No avarandado, sentado, observo ventos frios e fortes, Rasgando as têmporas das manhãs e congelando abraços apaixonados Risos, lágrimas, sonhos desfeitos e esperança nos cabelos. Observo-lhe indo e vindo, com fé num pequeno espaço de chão Amarguradamente vive a procura de cristais e brilho de ouro.
No avarandado observarei rugas e novas proles. Sinto, são filhos do mundo num novo ciclo de vida, Proliferando ou contaminando, geração após geração, o novo mundo Observarei seu pó e verei seu leito eterno. Vive e sonha, viveu e sonhou, encarnado nos cristais do tempo.
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