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Home > Poesia > Carrossel

Carrossel

Vai carrossel, roda, levanta poeira
Joga fora, à ribanceira as amarguras
Plumas do macio algodoeiro
Num rolar de universos e corpos
Distorcendo os meus versos

Vai carrossel, roda
E sinta a visão de um abismo caótico
Como um homem deixando rastros de misericórdia
Apenas rastros, apagados com a chuva
E você me pergunta aonde eu quero chegar?

Vai carrossel, roda, mova as folhas caídas
Jogadas ao léu, ao relento
Como que caídas do céu
Esvoaçando como cinzas de alguém que se foi
Alimentando a fria terra com o pó do verdadeiro amor

Vai carrossel, roda
Ajunte as brancas nuvens carregadas
Aconchegando-se num mar azul
Fazendo brotar em cada gota de chuva
A esperança de um novo amanhecer

Vai carrossel, roda. Traga-me a noite eterna
Ajuste a penumbra à laje fria
Pondo meu pequeno corpo a descansar
Banho-me com a rica fonte do saber
Onde reconheci que tua existência dominava-me

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