Carrossel
Vai carrossel, roda, levanta poeira Joga fora, à ribanceira as amarguras Plumas do macio algodoeiro Num rolar de universos e corpos Distorcendo os meus versos
Vai carrossel, roda E sinta a visão de um abismo caótico Como um homem deixando rastros de misericórdia Apenas rastros, apagados com a chuva E você me pergunta aonde eu quero chegar?
Vai carrossel, roda, mova as folhas caídas Jogadas ao léu, ao relento Como que caídas do céu Esvoaçando como cinzas de alguém que se foi Alimentando a fria terra com o pó do verdadeiro amor
Vai carrossel, roda Ajunte as brancas nuvens carregadas Aconchegando-se num mar azul Fazendo brotar em cada gota de chuva A esperança de um novo amanhecer
Vai carrossel, roda. Traga-me a noite eterna Ajuste a penumbra à laje fria Pondo meu pequeno corpo a descansar Banho-me com a rica fonte do saber Onde reconheci que tua existência dominava-me
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