Caminho das sombras
Caminho num mundo distante daqui Envolto em escuridão, banhado por trevas Onde duas sombras animam-se em seguirem-me
Há, à toa, uma evasão de corpos e mentes, O claro e o escuro confundem-se com a penumbra O riso e o pranto tornam-se único
Engolindo um punhado de areia Entalando na garganta profunda, entre amor e ódio Mel e fel difundem-se na amargura do néctar
Sugando a brisa para matar minha sede, Entre o dia e a noite que espreme a madrugada Apertando-a, calando a noite, dando graças ao dia
Umedecido com prantos e sem afeto, Os olhos brilham para um horizonte inerte, Um pranto seco escorrega-me dos olhos
Alterando as batidas de um peito só Bate no dorso o pulsar compassado Afogado nas entranhas de uma consciência
Meros acasos translúcidos, forte como as palavras Latente como o calor das estradas Como caminhos desvirtuosos e sem rumo
Uma adorável criatura, a pastar num campo de fungos Alcoolizando-se com seivas da relva Madrugada dentro de madrugada
O pensamento versátil mastiga as emoções, O descarrilo de um trem, atrasando o pôr do sol. Unindo minhas sombras a um mundo desprovido de amor.
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