Boêmia
Boêmia, volto a ti. Atreveu-se a levar-me ao teu encontro, Justa é tua causa, Pois se és pequena, não desejas sentir-se só.
Venho por vontade própria, Não desdenho tua grande força, Mas minha razão é maior que minha causa.
Vemo-nos a olhar as criaturas noturnas: Os bebes envoltos em sonhos profundos; Os garotos brincando de pegar; E o velho ancião com seu instrumento de lida.
Mas só ele tem sua liberdade, Mesmo que distante, teme você, Pois sois madrugada e desejas ser liberta.
Nunca abandones a quem te estimas, Pois por menor que seja a ferida, dilacera. A dor que tu ignoras tem sempre um corte profundo, Viemos a ti simplesmente pela razão e não pela causa.
Vários são teus leitos e lamentos, Sempre e sutil, envolvente e caloroso, Com delicadeza abre teus mundos desavergonhadamente.
Louros ou morenos, negros ou azuis, Fazem você sentir-se a mais bela das criaturas, Porque tem em seu ventre o mais lindo prole. Pois tu sendo o alimento, as sementes e os frutos, Tu és a boêmia, a mais compreensiva das mulheres.
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