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Home > Poesia > Boêmia

Boêmia

Boêmia, volto a ti.
Atreveu-se a levar-me ao teu encontro,
Justa é tua causa,
Pois se és pequena, não desejas sentir-se só.

Venho por vontade própria,
Não desdenho tua grande força,
Mas minha razão é maior que minha causa.

Vemo-nos a olhar as criaturas noturnas:
Os bebes envoltos em sonhos profundos;
Os garotos brincando de pegar;
E o velho ancião com seu instrumento de lida.

Mas só ele tem sua liberdade,
Mesmo que distante, teme você,
Pois sois madrugada e desejas ser liberta.

Nunca abandones a quem te estimas,
Pois por menor que seja a ferida, dilacera.
A dor que tu ignoras tem sempre um corte profundo,
Viemos a ti simplesmente pela razão e não pela causa.

Vários são teus leitos e lamentos,
Sempre e sutil, envolvente e caloroso,
Com delicadeza abre teus mundos desavergonhadamente.

Louros ou morenos, negros ou azuis,
Fazem você sentir-se a mais bela das criaturas,
Porque tem em seu ventre o mais lindo prole.
Pois tu sendo o alimento, as sementes e os frutos,
Tu és a boêmia, a mais compreensiva das mulheres.

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