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Home > Poesia > Ao chegar um novo dia

Ao chegar um novo dia

Hoje não há paraíso, não há luar lá fora
Não há rede nem varanda, não há viola nem violar
O “hoje” fiz questão de substituir
Pelo amanhã, eternamente o futuro
Fez-se de um paraíso
A eterna morada de minha deusa loura
Os vários leitos onde faremos o amor frutificar
Sementes que plantaremos juntos
Para colhermos acompanhados de pequenas mãos
Vindas através de nossa coesão

O luar outrora prateado
É substituído por uma escaldante luz
Esbranquiçada luz que ilumina
As palavras que aqui transcrevo
Como muita saudade
Ao lado, a rede que transmutou-se em um velho colchão
Com seu lugar vazio bem guardado
Esperando para ser ocupado com seu sonolento corpo
A varanda, é mero acaso que esteja trancada por espessas paredes
Com quem conto as horas para passar esta longa noite
Barulhentos carros são uma turbulência momentânea
Que ao passar dos minutos, torna-se silêncio
A embalar-me em sono profundo de bebê
A viola bem guardada descansa dos meus braços
Ela sabe que a noite o lugar é de meu amor
O violar calara-se
Emudeceu-me ao colarmos em sonho
Nossas bocas em um beijo que todos invejam
O gosto amargo da solidão
Torna-se a esperança de vê-la ao chegar novo dia
Mais formosa que ontem e menos que amanhã
Cada dia, cada passo dado
Cada segundo, cada abraço
É a construção do caminho
Que nos levará ao êxtase de vivermos infinitamente juntos

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