Ao chegar um novo dia
Hoje não há paraíso, não há luar lá fora Não há rede nem varanda, não há viola nem violar O “hoje” fiz questão de substituir Pelo amanhã, eternamente o futuro Fez-se de um paraíso A eterna morada de minha deusa loura Os vários leitos onde faremos o amor frutificar Sementes que plantaremos juntos Para colhermos acompanhados de pequenas mãos Vindas através de nossa coesão
O luar outrora prateado É substituído por uma escaldante luz Esbranquiçada luz que ilumina As palavras que aqui transcrevo Como muita saudade Ao lado, a rede que transmutou-se em um velho colchão Com seu lugar vazio bem guardado Esperando para ser ocupado com seu sonolento corpo A varanda, é mero acaso que esteja trancada por espessas paredes Com quem conto as horas para passar esta longa noite Barulhentos carros são uma turbulência momentânea Que ao passar dos minutos, torna-se silêncio A embalar-me em sono profundo de bebê A viola bem guardada descansa dos meus braços Ela sabe que a noite o lugar é de meu amor O violar calara-se Emudeceu-me ao colarmos em sonho Nossas bocas em um beijo que todos invejam O gosto amargo da solidão Torna-se a esperança de vê-la ao chegar novo dia Mais formosa que ontem e menos que amanhã Cada dia, cada passo dado Cada segundo, cada abraço É a construção do caminho Que nos levará ao êxtase de vivermos infinitamente juntos
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