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Home > Poesia > Anjo

Anjo

Viajo num mundo iluminado pela escuridão
No qual meus passos são iluminados por velas
Velas e o fogo banhando de luz a trajetória de um ser rei
Com a alma coroada por arcanjos de um deus desconhecido
A cada passo dado uma rosa a germinar
Levando comigo os espinhos da vida na coroa
Os avessos da realidade, as mentiras e verdades
Ditas em julgamentos carnais
Delimitando os territórios do inconsciente
Negando a própria consciência
Consumindo a própria carne
Dando a mesma consciência a porcos
Dilacerando a carne crua, estão os cães
Dilacerando a pura razão em idolatrias de deuses pagãos
Ilusionando-me, projetando-me num horizonte abstrato
Usando a linha do Equador como pendulum da memória
Usando a balança da cega justiça, como alvo da ignorância
Rogando aos novos peregrinos, a misericórdia dos dias
Mostrando aos velhos senhores de engenho a doçura da cana
Provando o amargo fel da tirania racista
Num mundo dividido entre corpo e mente
Estendendo-se a sabedoria de um bicho em gente
Usando uma força racional para livrarem-se de obstáculos
Que assim seja, como o cheiro da mais bela dama
O beijo do soldado amado pela pátria, cheirando a batalhas
Ou o mar morto, vermelho, cheirando a sangue
Não importa, a justiça tapa os olhos para os injustos
Aliena-se a doutrina vã, usando uma balança frágil
Duas mãos foram dadas a mim, duas mãos sem uso
Apertando outras tão falsas, tão frias, tão moribundas
Acariciando uma falsa conclusão de uma terra tão imunda
A perversidade tornou-se um caminho rápido

Onde ao apertar o passo com medo das sombras, atolam-se
O abismo de seu orgulho, onde as mãos do destino sentenciarão
Uma dolorosa e caudalosa ajuda que negaste
Ser negada, dada ao justo por minhas mãos
Herdaste da Terra os vermes da carne e o espinho da rosa
Ergueste um estandarte da miséria e da dor
Justifico minha ousadia velando seu corpo
Assim como tem sido durante o século dos séculos
Assim com tenho feito durante a vida e a morte

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