Anjo
Viajo num mundo iluminado pela escuridão No qual meus passos são iluminados por velas Velas e o fogo banhando de luz a trajetória de um ser rei Com a alma coroada por arcanjos de um deus desconhecido A cada passo dado uma rosa a germinar Levando comigo os espinhos da vida na coroa Os avessos da realidade, as mentiras e verdades Ditas em julgamentos carnais Delimitando os territórios do inconsciente Negando a própria consciência Consumindo a própria carne Dando a mesma consciência a porcos Dilacerando a carne crua, estão os cães Dilacerando a pura razão em idolatrias de deuses pagãos Ilusionando-me, projetando-me num horizonte abstrato Usando a linha do Equador como pendulum da memória Usando a balança da cega justiça, como alvo da ignorância Rogando aos novos peregrinos, a misericórdia dos dias Mostrando aos velhos senhores de engenho a doçura da cana Provando o amargo fel da tirania racista Num mundo dividido entre corpo e mente Estendendo-se a sabedoria de um bicho em gente Usando uma força racional para livrarem-se de obstáculos Que assim seja, como o cheiro da mais bela dama O beijo do soldado amado pela pátria, cheirando a batalhas Ou o mar morto, vermelho, cheirando a sangue Não importa, a justiça tapa os olhos para os injustos Aliena-se a doutrina vã, usando uma balança frágil Duas mãos foram dadas a mim, duas mãos sem uso Apertando outras tão falsas, tão frias, tão moribundas Acariciando uma falsa conclusão de uma terra tão imunda A perversidade tornou-se um caminho rápido
Onde ao apertar o passo com medo das sombras, atolam-se O abismo de seu orgulho, onde as mãos do destino sentenciarão Uma dolorosa e caudalosa ajuda que negaste Ser negada, dada ao justo por minhas mãos Herdaste da Terra os vermes da carne e o espinho da rosa Ergueste um estandarte da miséria e da dor Justifico minha ousadia velando seu corpo Assim como tem sido durante o século dos séculos Assim com tenho feito durante a vida e a morte
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