A noite
A noite é a penumbra dos sonhos. Onde existem os guardiões, Cavaleiros encantados, Protegendo algo do mal Traduzido pela consciência.
A noite é bela e indecisa como a criança, Que ao chorar, derramam-se, Molhando a conduta da mãe Convalescendo-se da dor do filho amado, Traduzido pela dor da possessividade.
A noite é astuta como os chacais, Que devoram a presa sem piedade, Sobrando para os abutres, A carne derretida pela putrefação Traduzidos pelo espírito da fome
A noite é longa como caminhos escuros, Desfecham-se no muro. Resta sempre o sacrifício de pular, Caindo no fosso, ou no abismo da felicidade. Traduzidos pelos espinhos no decorrer das estradas.
A noite é dolorosa como a traição, Declarando a mais tirana dor. Sobram a desordem, o bloqueio mental. A ferida no peito nunca sara, Traduzidos com o machado da derrota. A noite é negra como a mentira, Bruma leve e amena que corroe a madrugada Distorcendo uma bela manhã, Destruindo o caráter moral do dia, Traduzidos com o decorrer dos anos.
A noite é incerta como a mulher, Ama e diz que não sente, Não sente e diz que ama, Desconcerta a dor da saudade Com o simples gesto de um sorriso.
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