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Home > Poesia > À mim

À mim

Aonde está a lúcida inspiração que de ti saía?
Aonde estão os teus versos ocultos?
Aonde estão as palavras ilícitas que sua boca vomitava?
Naufraga hoje no mar dos sonhos,
O sonhador virou um devaneio
O sonhador tornar-se-á um mito.

Aonde te encontrarei novamente?
Quando rebuscarei em teu olhos a expressão magnífica?
Verei sempre uma figura no espelho?
Hei de tomar-te como cúmplice da minha vida
Duas faces, olhos nos olhos, duas ilusões
O verdadeiro tornou-se a imagem através da dimensão

Verei teu riso amarelo, inconformado?
Extasiar-me-ei em teu corpo bêbado?
Um soldado, um náufrago querendo à terra voltar?
Descobriu a loucura terrestre.
Foge de si mesmo e até de mim,
Esconde-se de sua consciência moral.

Aonde escondeu, de ti mesmo, o amor?
Sonhava com sua musa, hoje abandonou-a?
Onde está o belo sintoma da paixão? Curou a doença?
Vaga pelos campos tentando encontrar sua cabeça.
Em ti algo morreu para dar a vida a um "nascimento".
Nasceu em ti a inconsciência de teu saber.

Será que ainda você sou eu?
Estou conjugando o verbo no passado de nossas vidas?
Lambuzando-me com a inocência de um saber?
Não, ainda sou, ainda estou, ainda quero.
Não sei ao certo quem sou: o poeta, ainda escrevo, ainda bebo.
Ainda continuo sendo você !!!

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