À mim
Aonde está a lúcida inspiração que de ti saía? Aonde estão os teus versos ocultos? Aonde estão as palavras ilícitas que sua boca vomitava? Naufraga hoje no mar dos sonhos, O sonhador virou um devaneio O sonhador tornar-se-á um mito.
Aonde te encontrarei novamente? Quando rebuscarei em teu olhos a expressão magnífica? Verei sempre uma figura no espelho? Hei de tomar-te como cúmplice da minha vida Duas faces, olhos nos olhos, duas ilusões O verdadeiro tornou-se a imagem através da dimensão
Verei teu riso amarelo, inconformado? Extasiar-me-ei em teu corpo bêbado? Um soldado, um náufrago querendo à terra voltar? Descobriu a loucura terrestre. Foge de si mesmo e até de mim, Esconde-se de sua consciência moral.
Aonde escondeu, de ti mesmo, o amor? Sonhava com sua musa, hoje abandonou-a? Onde está o belo sintoma da paixão? Curou a doença? Vaga pelos campos tentando encontrar sua cabeça. Em ti algo morreu para dar a vida a um "nascimento". Nasceu em ti a inconsciência de teu saber.
Será que ainda você sou eu? Estou conjugando o verbo no passado de nossas vidas? Lambuzando-me com a inocência de um saber? Não, ainda sou, ainda estou, ainda quero. Não sei ao certo quem sou: o poeta, ainda escrevo, ainda bebo. Ainda continuo sendo você !!!
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