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Poesias

Apenas toque!

Toque!
Ouvi uma voz a dizer-me sem direção definida
Continuei a olhar a lua, tomando um paciencioso trago...

Toque para mim!
Incógnito, sem ação, achei ser voz do inconsciente
Continuando a tragar, acendi um cigarro

Toca pra mim sua viola...
Inconformado: ora espantado, ora risos
Mantive-me ali, soltando fumaça...

Toque pra mim sua viola, qualquer uma delas...
Obstinado a ver de onde vinha aquela voz
Parei... outra latinha aberta... esperando...

Apenas toque, quero te ouvir...
Uma voz feminina pude perceber ali
Voz rouca, direta e sem melindres

Toca vai... apenas um acorde...
Olhei ao lado, estava só, absurdamente só...
Lua, estrelas, a noite... negro infinito

Quero ouvir você... toca...
A voz foi transformando-se... um carinho
Específica ternura... admiração

Rasga este silêncio, toca!
Senti-me aconchegado, seguro, porém perplexo
Aquela abraço apaixonado... pude sentir seu toque


Quero te ver tocar... sou toda ouvidos!
Um afago em meus cabelos
Um sussurro em minha orelha... arrepio!

Você é todo meu som, toda minha música... toque!
E a leveza de suas mãos delicadas fez-se afagos
Senti meu coração disparar...

Toca vai?
Estremeceu meu lado mais íntimo desta vez
Minha masculinidade rendeu-se...

Toca meu amor, toca...
Sem mais resistir, emocionado e em prantos de felicidade
Por fim... tomei a viola nos braços
E toquei, apenas toquei pra ela
Ainda sim, sem saber pra quem...

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