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  • Composições

    A Vida E O Destino - João Vilarim
    Teu olhar perdido horizonte trás estórias pra lhe alimentar
    Seu andar sobre pedras e espinhos e a esperança pra lhe acompanhar
    Trás no dorso suaves lembranças daquelas festanças amigos dum bar
    Tua sina além das montanhas, que sorte tamanha é poder viajar
    Vai o trem leva ao longe alguém Que passa depressa em algum lugar
    Viajante de terras distantes, Que faz suas pousadas aonde parar
    Navegante de espaços distantes Que vão e que vem como ondas do mar
    Boiadeiro que leva a boiada Em beira de estrada e um chão pra domar
    A distância separando gente, uma história que o tempo contou
    Planejar sua vida e o destino, e o futuro que já se formou
    Vem o vento e levanta a poeira que os anos marcaram e fizeram passar
    Tuas lendas, teus sonhos, teus mitos, os passos passados , caminho a trilhar

    Advogado Do Diabo - João Vilarim
    Escuta a minha história companheiro neste meu causo há muita coisa pra contar
    Estou chegando de uma terra não distante onde o povo é itinerante e tem sossego até pra andar
    Na minha vida tanta coisa aconteceu mas um fato que se deu dói no peito pra contar
    E quando eu lembro aquela fria madrugada eu me calo, digo nada e deixo as lágrimas rolar
    Hei doutor, segura as guampas da maldade e faz deitar
    Hei doutor, joga o teu laço pra justiça não escapar
    Ainda moço eu vivia pra montar herdei o laço e a profissão do velho pai
    Ganhei rodeios e minha fama na cidade aumentou e a liberdade conquistava sem penar
    Mas neste mundo onde o mal é a ilusão larguei mão da profissão noutros cantos aventurar
    Troquei o laço, a arena e o brete fui morar num palacete pra doutor eu me formar
    Hei doutor, segura as guampas da maldade e faz deitar
    Hei doutor, joga o teu laço pra justiça não escapar
    Um certo dia bate a porta um forasteiro muito dinheiro para um caso advogar
    Numa demanda onde um punhado de terra era motivo de guerra pra poceiro se matar
    Mas todo estudo não valeu naquela hora pois fui eu quem pus pra fora aquele povo “infrator”
    Ganhei a causa não me orgulho em dizer vendo as lágrimas correr de um povo trabalhador
    Hei doutor, segura as guampas da maldade e faz deitar
    Hei doutor, joga o teu laço pra justiça não escapar
    Agora entendo que o poder derruba a gente tendo dinheiro mais riqueza faz brotar
    Tirei o espaço de gente que só queria fazer lá uma moradia pra semente germinar
    Hoje na terra a qual ganhei na empreitada não tem gado, não tem nada, nem capim existe lá
    Onde no chão brotava o arroz, feijão e o milho a herança de pai pra filho é a fome pra custear
    Hei doutor, segura as guampas da maldade e faz deitar
    Hei doutor, joga o teu laço pra justiça não escapar
    Hoje seu moço arrependido do que fiz mas tô feliz pois aprendi nova lição
    Fui enganado pela falsa honestidade o diploma e a vaidade só trouxe decepção
    Larguei de mão a profissão de advogado já voltei para o meu gado e uma coisa vou dizer
    Caso perdido é o homem sem coração rouba o pão do seu irmão pra deixar apodrecer
    Hei doutor, segura as guampas da maldade e faz deitar
    Hei doutor, joga o teu laço pra justiça não escapar

    Água E Sal - João Vilarim & Nico
    O tempo corre atrás da hora, corre atrás dos dias
    Corre atrás de quem já viveu
    A vida consome a vaidade, suga a mocidade
    De quem já cresceu
    Não fique esperando resposta de um sonho
    Não fique sentado esperando o abandono
    Divine sua alma como um animal
    Venere a comida dentro do embornal, a água e sal
    O vento empurra à ribanceira, desce a corredeira
    Em nome de Deus
    Brota em flor a tempestade trazendo a cidade
    E a vida cresceu
    Lá fora a brisa faz parte do encanto
    O Homem suspira envolto em seu manto
    Seguindo a promessa o mundo se faz
    Os homens, mulheres e a criança refaz o amor e a paz

    Ao Longo Das Eras - João Vilarim
    A boca da noite sugando o meu tempo
    Calando as palavras usando o seu fe1
    A brisa marinha roubando o meu vento
    Querendo mandar uma onda de mel
    Causando a vida tirando o sossego e vem
    Modelar um ventre usando o meu bem
    Provando dos sonhos daqueles que já o contém
    Quero ver da minha semente brotar
    Lambuzando o chão como quem deveria
    Cumprir consciência apagando o mal
    Inventar palavras, dizer poesia
    Caminhos pra um homem tornar-se imortal
    Vagando nos anos procriando o amanhecer
    Fazer-se em eras viver e morrer
    Travando as batalhas assim como um ancestral
    Quero ver da minha semente brotar
    Cravando o estandarte no topo do mundo
    Azul cintilante da cor de seu céu
    Conquistar no espaço um sono profundo
    Até quando o futuro conservar-lhe o véu
    Privar-se das asas usando volitação
    Espalhar sua poeira ao longo do chão
    Estradas que passam por toda sua geração
    Quero ver da minha semente brotar

    Aqui No Mato - João Vilarim
    Aqui no mato só se entranha em coisa esmera a cabocla flor mais bela, todo canto do lugar
    Aqui tem terço, tem devoto, oração tem inté uma procissão pro povo serpentear
    Tem cantador, tem viola que ponteia faz canção pra lua cheia e pras moças suspirar
    Festa na roça, violeiro apaixonado tem fandango tem bailado, catira sapatear
    Festa na roça, violeiro apaixonado tem fandango tem bailado, catira sapatear
    Aqui no mato só se planta pro sustento mutirão em movimento pra comida não faltar
    Aqui tem pasto, tem queimada, plantação carinho pra criação, leite puro ordenhar
    Aqui tem seca, tem geada e pobreza mas não falta a beleza, fartura vem do olhar
    Velho matuto, coroné, tem boiadeiro tem sem terra, tem poceiro e causo pra se contar
    Velho matuto, coroné, tem boiadeiro tem sem terra, tem poceiro e causo pra se contar
    Aqui no mato tem cheiro de cafezal melado do canavial, pra sua boca adoçar
    Aqui bem cedo o galo canta acorda a vida o caboclo sai pra lida com a enxada a empunhar
    Aqui tem mestre, tem estudo e professor tem sábio trabalhador pondo a mão pra calejar
    Sabedoria vem da terra, natureza vem do gesto de nobreza a todos cumprimentar
    Sabedoria vem da terra, natureza vem do gesto de nobreza a todos cumprimentar
    Aqui no mato tô vivendo o meu futuro meu passado já fui duro mas não posso que reclamar
    No meu ranchinho vivo eu mais minha velha ainda moça, ainda bela,...juntinhos a namorar
    A criançada já cresceu, já estão formados cada um para o seu lado, novo mundo conquistar
    Hoje a alegria vem dos gritos, correria vem do amor vem da folia ver os netos a brincar
    Hoje a alegria vem dos gritos, correria vem do amor vem da folia ver os netos a brincar

    Asas Abertas - João Vilarim
    Como forma de gratidão vou sair da sua jurisdição
    Vou andar pelos campos floridos quero ver o perigo em forma de chão
    Vagabundo rodando no mundo asas aberta pro meu coração
    Se acaso quiseres querer há uma porta pra lhe receber
    Vai olhar nos meus olhos vermelhos vai me abraçar e então compreender
    Vira mundo jogado no mundo plantando o presente pra depois colher
    Por acaso esqueci de contar que fiz minha trouxa com o teu cobertor
    Pra servir de abrigo ou morada num quarto ou na estrada quando o sol se por
    Por acaso esqueci de contar que teu passaporte também já comprei
    Levo um sonho, minha liberdade a minha viola e você também

    Bem-te-vi - Nico & João Vilarim
    Feito um viajante, por cantos distantes fazendo pousadas vim parar aqui
    Tem gente matuta, alma absoluta e seu ancestral é Tupi- Guarani
    Perigo ausente, crianças contentes e a vida voando feito colibri
    Lua prateada, beira de roçada e água de talha pra gente engo
    Bem te vi, te vi, te vi, te vi
    Bem te vi, bem te vi, bem te vi
    Bem te vi, te vi, te vi, te vi
    Bem te vi, bem te vi, bem te vi
    Alma pantaneira, vida seresteira tudo preparado pra noite sair
    Som de cachoeira, beira de fogueira, choro de viola pra gente ouvir
    Estrada boiadeira, gado na mangueira, toque o berrante pra tropa partir
    Brasa na fogueira, café na chaleira e o galo chamando o dia a partir
    Bem te vi, te vi, te vi, te vi
    Bem te vi, bem te vi, bem te vi
    Bem te vi, te vi, te vi, te vi
    Bem te vi, bem te vi, bem te vi
    Por um incidente, parou minha mente quando na janela passando te vi
    Morena fogosa, bela e tão formosa deixando em meus olhos um brilho rubi
    Pura inocência, com toda tendência de parar o tempo de quem olha em ti
    Corpo bronzeado, ouro modelado, traz na sua forma uma deusa tupi
    Bem te vi, te vi, te vi, te vi
    Bem te vi, bem te vi, bem te vi
    Bem te vi, te vi, te vi, te vi
    Bem te vi, bem te vi, bem te vi

    Buscando a mineira - João Vilarim
    Levantei acampamento na beira do Tietê
    Pra buscar minha morena há tempos nós não se vê
    As cartas que ela mandou, já não consigo mais ler
    O tempo amarelou, a saudade amassou e a distancia faz esquecer
    Olhando para fogueira acesa no escurecer
    Olhando o clarão da lua, as estrelas me faz vê
    O brilho resplandecente aumenta meu padecer
    Nas estrelas teu olhar, a lua me faz sonhar com tua chama a me aquecer
    Com as notas do meu pinho espanto qualquer tristeza
    O canto da passarada me mostra grande pureza
    O dueto tá formado a viola e a natureza
    Modinha que fiz pra ela, uma poesia singela, pra mostrar tua beleza
    Tenho uma jura de morte, dos parente da mineira
    Eu sai de lá fugido, atravessando fronteira
    Até hoje me procuram, com o trinta na cartucheira
    Eu tô correndo perigo, com qualquer caboclo eu brigo nosso amor é a trincheira
    Na alma deste caipira habita a sinceridade
    Razão e compreensão, orgulho e honestidade
    Coração deste matuto é repleto de coragem
    Seja do jeito que for só carrega um amor não divide na metade
    Já tá completando um ano que dela me apartei
    No embornal minha coragem justiça é minha lei
    Eu vou buscar a mineira e tudo que semeei
    Vou enfrentar seus parentes e ver a minha semente que no ventre dela deixei

    Canção Da Liberdade - João Vilarim & Nico
    Solte sua imaginação e vem comigo vem cantar
    Pois os pensamentos loucos que outrora me fez chorar
    Não podemos esperar pelo verão e nem as ondas do mar
    Sou um passarinho preso e agora quero voar
    Quero ver a esperança de um sorriso, de um olhar
    Seria então a liberdade nestes versos a inspirar
    Não são as derrotas que nos levam a imaginar
    Somos a canção da vida que alcança um libertar
    Só a canção alcança um libertar Minha inspiração se solta saio pro ar

    Canção Das Manhãs De Primavera (instrumental) - João VilarimOuça esta música no formato ENCORE

    Canoeiro Do Tietê - João Vilarim
    Canoeiro do Tietê, andando fazendo léguas
    Quero ver se eu entendo bem companheiro, acabaram as quedas ?
    Navegando além do tempo com alento, rede e peixe bom
    Selva esticou-se além do vento, os sentimentos pedem oração
    Uma estrada só de ida, hoje asfalto não mais chão
    Tua veemência não desliga tal qual minha solidão
    Já perdi minha canoa, fragmento de emoção
    Hoje dói dentro do peito ver tamanha ingratidão
    Foi julgada a esperança : - Envenenada geração !
    Trás consigo uma história de total devastação
    Ver um barco de espumas, hoje jaz a cor do céu
    Trago de ti boas lembranças, eu já fiz o meu papel
    Vai descendo o rio do pranto naufragado bem querer
    Lá se foi bom canoeiro, lá se foi o Tietê 

    Capão Do Embira (instrumental) - João Vilarim Ouça esta música em MP3 Ouça esta música no formato ENCORE

    Caricatos - João Vilarim & Nico

    São os caricatos desta profissão os homens retiram poeiras das mãos
    Crianças marcadas cheias de esperança os olhos procuram uma semelhança
    Da roupa lavada, o caderno e a lição e saber que a guerra é um pedaço de pão
    Do riso a boca é amargor e veneno discurso em pedaços nem sempre é pleno
    Vive o mundo em total escravidão No cativeiro que manda é o “patrão”
    Tua labuta pra forca tirar precocemente à margem ficar
    Da Terra os gemidos rogam salvação sepultam no peito um frio coração
    Sentenças omitem as dificuldades as lágrimas rolam inundando as cidades
    Que Deus abençoe Renato Aragão tecendo sua alma cumprindo a missão
    Costurando ao sonho de amor a bondade moldando a cabeça de quem tem vontade
    Da vida sem fruto a fome é em vão agasalho é o relento e seu leito é o chão
    Não desanime se um dia voltar tuas lembranças das ruas, teu lar

    Chuva - Nico & João Vilarim Ouça esta música em MP3
    No brilho da bela manhã escondem-se as nuvens de um temporal
    Assustando bezerros famintos e vem traduzido como um vendaval
    Janelas e portas de vidro se fecham pro dia transformado em noite
    Família debaixo do teto o dono da casa fica no açoite
    Quero que a chuva venha molhando a semente pra fecundação
    Quero que Deus nos abrace e leve pra longe a devastação
    No dia e na noite passada choveu um bocado e encharcou o chão
    Trazendo consigo a esperança deixando a bonança em meu coração
    É cedo, o sol já raiou e vejo a vida na vegetação
    Um ano tão farto e a colheita matando a fome da população

    Cidade Grande - João Vilarim
    Quero ver teu sorriso no rosto rasgando as têmporas da bela manhã
    Quero ver o sertão viajar soltar minhas asas pra imaginação
    A cidade inteira repousa um sono pesado de embriaguez
    O poeta sonhando acordado, faz parte da musa sua timidez
    Prosas e risos contidos em histórias contadas pela população
    Vivências a andanças escritas por entre as linhas da palma da mão
    A noite cigana oculta um lado da lua que não pode ver
    A boca que cala e não diz e os que olham querendo dizer
    Vai interior dos sonhos vai dizer para a bela morena
    Que o mundo é pequeno e só dá pra nós dois
    Vai minha cidade grande vai dizer que minha sina é viver
    Tão longe ou tão perto mas só eu e você

    Como Par - João Vilarim & Antônio Carlos
    Atirei-me ao meu cavalo sem laço nem espinhos
    Girei no rodamoinho, rebusquei nos devaneios
    À procura dos caminhos
    Fiz um laço da canção, fiz-me em trovas cantador
    É oculto o teu calor, sou de fato um sonhador
    Atrasando os pensamentos, surgem ecos, solidão...
    Num galope contra o vento busco nela inspiração
    Fiz jura pro Santo “Zé”, fiz a casa de sapé
    Pra poder comemorar quando você lá chegar
    Quero você como par
    Fiz um laço da canção, fiz-me em trovas cantador
    É oculto o teu calor, sou de fato sonhador
    Nem que eu caia num abismo ou que a morte me apodreça
    Que me cortem a cabeça, vou ainda procurar
    Quero você como par, quero você como par, quero você como par

    Coração Quieto - João Vilarim
    Eu nunca vi, oh! Deus tanta beleza eu nunca fui num quarto pra sonhar
    E me guiava pelas redondezas nos quatro cantos a historiar
    Via-me sempre grande fortaleza suspiro alto sé de imaginar
    Hoje eu vivo com minhas proezas neste chão duro a me procriar
    Igualmente foi a tal saudade subindo o riacho com a embarcação
    Rolavam as águas junto ao seu leito e de meus olhos, rolavam no chão
    Sua lembrança tatuada em meu peito queimava em brasa em dias de clarão
    Vinham as noites ruminando as cinzas, cinzas do velho e triste coração
    Via-se a chuva partindo pro norte cheiravam as flores a embelezar
    Rasgava fundo a ansiedade coração quieto a lhe esperar
    Eu nunca vi oh! Deus tanta tristeza eu nunca fui num quarto pra chorar
    Eu nunca fui atrás da procissão eu nunca vim à missa pra rezar

    Coronéis - João Vilarim Ouça esta música em MP3
    Se segura na gibeira, estou entrando na fronteira
    Tô querendo acomodar
    Sua terra é o meu caminho, prometo lhe ter carinho
    Não querendo incomodar
    Não quero ser intruso, o meu chão não tem mais uso
    Esta é a triste sorte de um fazendeiro de porte
    Ser na Terra um vagabundo
    Me entenda companheiro não quero nem dinheiro
    Pra minhas crias alimentar
    Tô atrás de esperança e Rosinha e as crianças
    Sei que um dia vou buscar
    O sol secou meu chão, coronéis minha ilusão
    Noutras terras tô perdido, meu sonho foi abatido
    Junto com minha plantação
    Tô esperando sua resposta aceito outra proposta
    Pra aqui poder ficar
    Neste mundo desumano é um risco fazer planos
    Para os filhos sustentar
    Não cheguei de passaporte, para me encontrar com a morte
    Sou um “Paraíba” um “Severino”, rogo por Jesus Menino
    Para eu voltar pro norte

    Despertar Do Planeta - João Vilarim
    Belos olhares que este mundo trás
    Os olhos negros da transmutação
    Brilhando em fogo restos de histórias
    Jogando lá fora sua desilusão
    Se preocupe em gargalhar o seu sorriso
    Buscando o siso e as respostas pra falar
    Sinta entrar em seus ouvidos a canção
    Num acorde colorido em seu mundo vai buscar
    Grandes espaços estes corpos buscam
    Trafegam nas estradas da procriação
    Cabeças cheias de esquecimento
    Do padecimento da má criação
    Se preocupe em espelhar-se nas respostas
    Buscando o siso e as perguntas pra fazer
    Deixe sair de sua boca a canção
    Num acorde colorido em seu mundo amanhecer...

    E Os Dias Passaram - João Vilarim & Nico
    Quantas vezes eu quis dizer sobre aquela história
    Quantas vezes eu quis mostrar seus momento de glória
    Passados num vendaval seu corpo, sua mente, e coisa e tal
    Tantos dias se viu passar como o vento levara
    Tantas noites renunciar o velho pó da estrada
    O passado é imortal, futuro e presente é natural
    Mais tarde nos sentimos só com uma grande saudade
    Outras vezes sentimos dó, dó de nossa vaidade
    A fome é um grande mal, uns frutos somente no embornal

    Fim Dos Heróis - João Vilarim
    Lendas e mitos vividos
    O presente se faz com o fim dos heróis
    Tanto dói, mas um só coração
    Não faz a colheita se o tempo destrói
    Meu sertão que ficou muito além
    Hoje só é passado que a vida desdém
    Não convém lhe lembrar da boiada
    Não toque o berrante que o gado não vem
    Derriçadas, sobraram pousadas, matas derrubadas
    O peão e as paradas que vão com os dias
    Seguir noites frias, viola sorria, donzelas, bordéis...
    Plantação foi queimada e ali transformou-se em estradas
    Ruas asfaltadas, não calo na enxada mas cala as canções,
    Hoje transmutações e o novo que vem

    Fogueira Em Beira De Estrada - João Vilarim
    Vale a pena recordar que tua voz já não mais me alcança
    É tão fácil relembrar que ficou apenas na lembrança
    Como as cinzas de uma fogueira que o vento leva para outro lugar
    Como lágrimas desperdiçadas que como a chuva voltam para o mar
    É bem fácil apreciar como vivem os velhos amores
    Vale a pena te mostrar que de fato somos bons atores
    O galho seco que foi pra fogueira deixou raízes naquele lugar
    O vento varre longe nossas cinzas deixou saudade pra nos machucar
    Pra morar no escuro, noite sozinha criou o luar
    Pra andar no mundo, trago a lembrança do seu doce olhar
    Pra morar no escuro, noite sozinha criou o luar
    Pra andar no mundo, trago a lembrança do seu doce olhar

    Galope dos ventos - João Vilarim & Nico
    No meu silêncio uma folha caiu
    Puxava um cochilo na beira do rio
    Galope dos ventos vem me avisar
    Que minha pequena acabou de chegar
    O dia vai como a fumaça no horizonte
    Juntei com as rosas meu amor e os diamantes
    Lavei a saudade e a poeira de esperar
    Que minha pequena acabou de chegar
    Lavei a saudade e a poeira de esperar
    Que minha pequena acabou de chegar
    Defronte a colina meu peito sorria
    - Se arruma, se ajeita! Uma voz me dizia
    Monta no jipe e vai lhe encontrar
    A sua pequena não pode esperar, não pode esperar
    Suspiros tão quentes em lábios ardentes
    Um fruto, a semente vamos fecundar
    Monta no vento e vai lhe encontrar
    Pois o teu futuro não pode esperar,
    Não pode esperar

    Garimpeiro – Nico & João Vilarim
    Garimpeiro me fale sobre o que a terra tem
    Garimpeiro se vive longe do teu bem
    Garimpeiro já não se fala mais da flor
    Garimpeiro mercúrio, suor, sangue rolou
    O tempo em que passava entranhado sob a pedra
    Em busca de pepita entre o torrão de terra
    Se fez valer por onde você então cavou
    Se frustou, se ganhou, só buraco restou
    Se fica acordado sonhando com o mel
    Depois da colheita a barganha por papel
    Se em meio quilate você se transformou
    Na mão desses posseiros seu ouro então ficou
    Na ponta das ferragens e com a bateia rasteou
    Encontrou pedra bonita sem brilho e lapidou
    Transforma-la num enfeite ou adorno se quiser
    Não há brilho mais bonito que um sorriso de mulher

    Jardim Dos Sentidos - João Vilarim & Nico Ouça esta música em MP3
    O tempo correndo das mãos do velho destino
    A vida passando por sobre a imensidão
    O velho deitado e olhando o pequeno menino
    Brincando com grãos de poeira espalhados no chão
    Algum passarinho alinha-se a beira do ninho
    Alimenta com a vida mais uma prole a cantar
    A semente que rola do bico deste passarinho
    Fecunda o leito da terra disposto a brotar
    Estes olhos que olham pros campos
    São os mesmos que dispõem-se a chorar
    São os olhos que derramam a brisa e os que enchem o mar
    Nas visões que transbordam de cores nossa consciência
    Ou nos vastos caminhos da nossa imaginação
    Impressão microscópica de toda uma vivência
    Um olhar distraído descobre uma fecundação
    Os anos vagueiam em silêncio e se perdem nos campos
    Os dias soprados com o vento espalham os grãos
    O menino observa em seus olhos as rugas e o pranto
    Desconhece a maturidade e aperta sua mão

    Jardim Dos Sentidos - Parte II - João Vilarim & Nico
    Tanto que se andou, tanta viagem, que se olhou tanta miragem
    Pra viver é melhor desistir de morrer
    Longo quanto eras, inútil como as guerras
    Recente pra tentar se esquecer
    Penso que cumpriu cada destino, que se sentiu cada gemido
    A história que se faz com um profundo olhar
    Perdido com quimeras, bruxas, duendes, esferas,
    Girando no brilho das estrelas
    Uma brisa a respingar um oceano, a se formar um horizonte
    Deslumbrando o luar da montanha
    A vida se faz renascer, viajante é o saber
    Na estrada da ignorância
    Tanto se viveu, tanto progresso se esqueceu, tantos caminhos...
    Preparando a Terra pra um novo jardim
    Breve como a eternidade ou distante da realidade
    O sentido se faz em sonhar e amar
    Breve como a eternidade ou distante da realidade
    O sentido se faz em sonhar e amar sem ter fim.

    Justiça - João Vilarim
    Sabe-se a cruel realidade onde deitam-se no mundo
    Os caminhos pra trilhar
    Vagam pelas sombras da vaidade, procurando um abrigo,
    Um lugar para morar
    Brilham corpos do espaço destruindo sua visão
    Rolam pelas cores da beleza e acreditam em sua dor
    Para se realizar
    Acabam-se nas baixas profundezas suplicando seu perdão
    Por quererem levantar
    Choram corpos em pedaços condenando a encarnação
    Vem rasgando o firmamento consumindo a imensidão
    Iluminando um pedaço de horizonte, exaltando a Criação

    Lírio Branco - João Vilarim
    Vai menina mergulhar no sono pra cruzar a imensidão
    Percorrer por todas as estradas, qualquer caminho, qualquer direção
    Põe no sonho uma breve esperança pra livrar-se da solidão
    Desabafa em poucas palavras, curta quimera ou mais uma paixão
    Na janela brotou o silêncio que a madrugada no final deixou
    Um lírio branco enfeita a saudade mais uma noite em que a vida passou
    Um sentimento cravado na espera seu olho claro é que desabafou
    Trouxe pra noite a tua beleza regou o lírio que desabrochou
    O céu cintila longe a alegria de acordar para viver
    Percorrer por dentro, os teus carinhos e tuas estradas, dão no padecer
    Passou por entre as idas e vindas na despedida pouco amor pra dar
    Tua acalento, teus homens, teu pranto e o teu menino não tarda a chegar

    Luminescência - João Vilarim
    Passos que marcam um caminho, ou segredo da imaginação
    Flores envoltas em espinhos, o perigo é bem mais que a emoção
    Pra viver sem amor é gostar de brincar com a razão
    Um cuitelo e a flor é bem mais que beijar o botão
    A paz que rodeia a morada, o sossego cercando o lugar
    A chuva que molha a roçada, o verde não tarda a brotar
    Vem a relva e umedece as cores, vem o sol outro dia reinar
    Vem o pão que trocado com a fome serve à mesa, é o enfeite do lar
    Seguir linha do horizonte o paraíso pra sempre sentir
    Olhar no balanço das águas e o mar outro dia engolir
    Surge ao fundo o negror chamuscando de astros brilhantes
    Surge a lua, o esplendor que revela a paixão dos amantes
    Nos olhos brilho enamorado luz divina que ofusca no ar
    Nos sonhos o vôo parado, expressão do poder de amar
    Na terra os filhos que nascem pra um novo ciclo começar
    No coração uma força que cresce e tudo começa no olhar
    O tempo dita e quanto pesa paciência para revogar ?
    Um beijo afoito na boca quanto lhe custa esperar ?
    Se embebeda na fonte porém o pranto pode lhe afogar !
    Um aceno pra hora do adeus ou anel pra sua mão enfeitar

    Martelo De Cristal - João Vilarim
    Não se estranhe companheiro nas aventuras vamos perceber
    Que no dia a dia aumenta o sonho ao se tornar entardecer
    Vemos esta gente ruminando a alegria
    Transformando em vida fria e a poesia a se perder
    Ser coerente com essa vida sem história
    Busco em rimas a vitória quero ainda não morrer
    Tá dando dó ver essa gente mastigada
    A se tornar um fruto de pecado, a maça
    Risca os pedaços recortados dos jornais
    Busque em vida tua paz e a liberdade sua irmã
    Somos transformados em verdades de mentira
    Em martelo de cristal tocando o sino da ilusão
    Levando em conta sigo o vento rumo ao norte
    Busco em força, sou ser forte trago comigo a inspiração
    Tá dando dó ver essa gente mastigada
    A se tornar um fruto do pecado, a maça
    Risca os pecados recortados dos jornais
    Busque em vida tua paz e a liberdade sua irmã

    Moça Namoradeira - João Vilarim
    Moça namoradeira, olhar faceiro, olha pro dia
    Quero deitar no seu colo, repousar minha valentia
    Quero ver final feliz de uma história de amor
    Seguirei de abraço dado ao seu lado onde for
    Debaixo de meu silêncio mora a fria solidão
    Tentando fazer duelo pra inspirar imaginação
    Como um velho violeiro pontear minha canção
    Vou buscar em melodias pra compor meu coração
    O que me alegra é a madrugada numa noite enluarada
    Pingo fino, orvalhar faz meu calendário andar
    De um silêncio despertar
    Debaixo de tua janela esperar a luz do sol
    Quero ver o teu semblante, uma forma de arrebol
    Como velho seresteiro pra rimar minha canção
    Vou buscar com belas palavras expressar meu coração
    O que me alegra é a madrugada numa noite enluarada
    Pingo fino, orvalhar faz meu calendário andar
    De um silêncio despertar
    Moça namoradeira olhar faceiro, olha pro dia...

    No Bojo Do Jacarandá (instrumental) - João VilarimOuça esta música no formato ENCORE

    No laço da viola - João Vilarim
    Fui convida do pra fazer minha função numa festa de peão em Barretos fui parar
    Cheguei na festa já estava agitada muita gente animada pra ver cavalo pular
    Moça bonita pra todo lugar que eu via me encostei nesta folia muito doido pra beijar
    Ganhei sorriso de uma formosa menina e com olhos de rapina eu me pus a paquerar
    Cheguei do lado me apresentei bem disposto ela me disse seu moço pode vir se aconchegar
    No pulo um potro selvagem tem coragem e valentia a poeira é vitamina pra domar um marruá
    Na festa do peão tem namora e tem fulia, tem viola e cantoria pra o povo suspirar
    Olhou meus olhos com muita delicadeza sou rainha e não princesa desta festa que aqui está
    Teve coragem de chegar aonde estou vá provar o seu valor põe-se no potro a pular
    E sorridente zombando da brincadeira muito viva e prazenteira uma aposta vou amarrar
    Lace o mestiço deixe ele arribado leve meu lenço bordado pro seu laço enfeitar
    E se na volta não tiver sujo de chão dou-lhe um beijo e o coração e pra sempre namorar
    Peguei no laço segurei com muito apego fui sem sela e sem pelego para me aventurar
    Firmei no lombo de um ruão bem comportado e como um índio pantaneiro eu me pus a galopar
    Joguei o laço mirando nos quatro pés o marrudo esperneava querendo se libertar
    Agarrei nas guampas o bicho estremeceu amansou e se encolheu deixando se dominar
    Peguei no lenço dei um beijo com malícia, mostrando minha perícia vi o povo me saudar
    Eu disse sou violeiro não monto em cavalo não mas as cordas da viola do meu jeito sei domar
    Lacei o macho mas só foi por regalia pra provar que a cantoria me dá forças pra ganhar
    Ganhei a aposta e quero um beijo seu morena mas só depois que eu entrar em cena pra viola eu repicar
    Subi no palco foi tamanha a surpresa o povo com estranhesa : o peão vai pontear?
    Vi a morena chorando desesperada violeiro me aguarda que minha mala eu vou buscar

    Novo Mundo – João Vilarim & Nico
    Amanhã a noite vou pegar o trem
    Sumir no mundo vou pra mais além
    Luar de prata quero ver brilhar
    Pisar na areia conhecer o mar 
    Amanhã a noite vou pegar o trem 
    Fica a saudade sei se lhe convém 
    Tire esta noite para dispersar
    Tire essa noite para me amar
    Ah! Novo mundo ou submundo
    Não deixe que eu caia ao chão
    Ah! Submundo ou novo mundo
    Permita que eu volte não
    Sonhos são sonhos não morrem nos cantos
    Tem uma vida no amanhecer
    Trago comigo todo o teu encanto
    Eu volto logo pra buscar você
    Levo a lembrança para me aquecer
    E esperança para me guiar
    Mundo pequeno para percorrer
    Prepare a festa caso eu voltar

    O Galo Cantou - João Vilarim & Nico
    O galo cantou, anunciando tá na hora de acordar
    Olha pro campo e sinta tudo em seu lugar, o galo cantou
    Sabiá cantou, sentindo a relva respingado no pomar,
    O fruto verde não demora a avermelhar, sabiá cantou
    Araponga cantou, o canto triste e o mais belo do lugar
    Canta a saudade reluzindo no olhar, araponga cantou
    João de barro cantou, foi pra biquinha e trouxe a lama pra moldar
    A sua casa pra poder enamorar, João cantou
    Uirapuru cantou, são poucas vezes que se escuta o seu cantar
    Se abre o bico outros calam a apreciar, uirapuru cantou
    O homem parou, ouvindo o pássaro e a expressão no gorjear
    Trás a pureza e a liberdade de orar, o homem parou

    O Grande Mito - João Vilarim
    Deixe disso, essa insensibilidade
    Esta falta de coragem pra sua vida cuidar
    Pra que esse esforço de pensar no amanhã
    Se há hoje uma vida escorrendo na janela
    Com a tamanha força e sabedoria
    Não importa as almas frias que tu venhas encontrar
    Hei! Escuta tua canção
    Vira e mexe o coração não querendo naufragar
    Hei! Escuta a voz dos sonhos
    Livre e em paz fazendo planos pra se imortalizar
    A tal disputa pra responsabilidade
    É viver com a humanidade delirante a repousar
    Desassossego livre trás preocupação
    Ocupando em cada folha uma história pra contar
    Dite o seu livro, sábio ou leigo rapaz
    E se transforme em grande mito livre pra poder sonhar
    Hei! Escuta tua canção
    Vira e mexe o coração não querendo naufragar
    Hei! Escuta a voz dos sonhos
    Livre e em paz fazendo planos pra se imortalizar

    Onde Quer Que Eu Vá - João Vilarim & Nico
    Onde quer que eu vá, as lembranças vem comigo
    Onde quer que eu vá, quero ser o seu perigo, Ah!
    Como quer que eu vá se meu braço é o teu abrigo
    O brilho dos teus olhos, um sorriso a meia luz
    Na pureza dos teus gestos o meu corpo ao teu conduz
    Transparece sua calma serena como a lua cor de prata
    Teu corpo esculpido em ouro, seus olhos misturando a mata
    Sinto em dor o meu prazer, a carne toda a se queimar
    Criança no alvorecer, em fera a noite pra lhe amar
    Morena da pele macia que habita nesta imensidão
    Tão grande quanto ao universo ou toda em meu coração

    Orvalhar - João Vilarim & Nico
    Visita do orvalho vai morrendo e dia vem secar-se ao sol
    Somo a madrugada e por trás das montanhas forma um arrebol
    Janelas fechadas vão espreguiçando, outro dia além...
    Um bezerro macho berra no terreiro e sua mãe não vem
    Rompe-se o silêncio e a natural orquestra trás seu recital
    O galo caipira canta suas modas acorda o quintal
    O bule bulindo espalha uma fragrância cheira a cafezal
    Homens vão pra lida levam o seu almoço o prato principal
    A manhã embarca para o entardecer e as horas seguindo pro anoitecer
    Montado ao vento o tempo num galope faz-se um viajar
    Colcha de retalhos faz-se nossa vida, costurando ao sonho nosso caminhar
    Ponta de uma história que ficou perdida no esquecimento sem poder voltar
    Lua seresteira doma o firmamento pra poder brilhar
    Os enamorados deitam-se na rede para namorar
    Calam os passarinhos para ouvir o pinho a se dedilhar
    Junto da fogueira sua mão matreira a se deslizar
    Madrugada quieta e os pequeninos a matraquear
    Punhado de estrelas com os pirilampos a se combinar
    Rasga o sereno uma viajante a desaparecer
    Não demora muito volta o orvalho para nos rever

    Ouça A Patativa - João Vilarim & Nico
    Brincadeira de criança brincadeira de ninar
    Se entrar naquela dança patativa vai cantar
    Olho livre de menino, olho vasto a matutar
    Canto que delata em campo patativa fez cantar
    Se subiu pela montanha ou foi pro lado de lá
    Só deixando esperança patativa vai voltar
    Se subiu pela montanha ou foi pro lado de lá
    Só deixando esperança patativa vai voltar
    Canta ao céu canta à poesia, canta ao povo do lugar
    Melodia em pouca rima patativa a harmonizar
    Se perde em beleza e encanto se faz vida em seu pousar
    Orquestrando a passarada patativa a musicar
    Junto a água cristalina minha sede vou matar
    Rebuscando nas lembranças patativa vou voar
    Brilha o sol e a lua cheia, dia e noite do lugar
    Eu também entrei na dança patativa a procurar

    Pagode no apagão – João Vilarim
    Tem gente nasce pra guerra e outro a fiel conduta
    Uns nasceram com preguiça e outro à total labuta
    Tem homem de corpo mole que perde em qualquer disputa
    Não é preciso talento pra saber que a vida é curta
    Aqueles que pulam cedo tão pronto pra qualquer luta
    Já vi criança chorar por causa de caramelo
    Já vi marmanjo apanhando com vara de marmelo
    No meu tempo de criança eu estilingava cuitelo
    Obedecia meu pai na base do fio de ferro
    Hoje em dia um velho teme um filho com parabelo
    O caboclo tá sofrendo com tanta decepção
    Já não tem como fugir da mordida do leão
    A fome vai aumentando e apertando o cinturão
    Poceiro mata poceiro e sem terra vira patrão
    Divide a terra com o amigo mas por cima do caixão
    Na base da internet tudo pode ajeitar
    Comprando e vendendo tralha e mandando entregar
    Com o progresso aumentando tá ruim se comunicar
    Carta de amor não existe, saudade ficou pra lá
    Se quiser prosear comigo liga no meu celular
    No braço dessa viola defendo meu ganha pão
    Cantando pra muita gente alegrando o coração
    Eu canto pra velha e moça, no sereno ou no salão
    Lá fora tá escurecendo apagaram o lampião
    Passei a mão na viola e fiz a moda do apagão

    Paixão a quatro pés - Nico
    De vez em quando boto fogo ali, falo depressa pra poder rimar
    De vez em quando apago fogo aqui, falo bem manso pra vida passar
    De vez em quando boto fogo na fundanga tiro garapa de cana pra sua boca adoçar
    Cabelo longo com cheirinho de alecrim temperado a gergelim sob o sol à “alumiar”
    De vez em quando trato ela com carícia dou-lhe um banho sem malícia pego o casco pra lixar
    Debulho milho encho o cocho de capim misturado com aipim a gente tem que vadiar
    De vez em quando levo ela pra festança com seu jeito de criança, sua marcha a entoar
    O pessoal fica até desconfiado proseando ali do lado tanto amor tem pra se dar
    De vez em quando a Castanha Quatro pé com seu jeito de mulher leva eu pra galopar
    No estradão, poeira que sai do chão tá ela e seu peão nem o vento a nos pegar
    E quase sempre a gente vive contente o ciúme está presente mas dá para suportar
    Eu larguei mão até de jogar baralho só pra ficar do seu lado deixando a vida passar
    Mas não tem nada, sou até bem conformado tantos homens enrolados pra sua vida lidar
    Tem a esposa, tem as filhas, as vizinhas, tem a sogra e as meninas pro dia a dia cuidar

    Paradas do Brasil - João Vilarim & Nico
    Não tire o quadro da sala que nunca saiu
    Não jogue o bem consumado pro fundo do rio
    Não tire o pé da estrada conheça bem o seu caminho
    Trilhando campos e planícies do nosso Brasil
    Tem gente com mãos calejadas ninguém nunca viu
    Tem bicho no meio da mata entrando no cio
    A Terra oh! Mãe tão serena semente no chão vale a pena
    Formando um imenso jardim esse nosso Brasil
    Vou parar por ai, e pensar no que vi, em seu dorso o estandarte da paz
    Ancorar nosso porto ou voar céu de anil, simplesmente paradas Brasil
    Ajoelhe na margem da fonte e encha o cantil
    Olhando o clarão das estrelas em pleno abril
    A lua tua namorada nas praias se deita sozinho
    Que banha com água salgada o chão desse Brasil
    Crianças de todas as paradas em tom juvenil
    Cantando em versos matreiros paixões varonil
    O andarilho de volta a morada chorando e sente arrepio
    Quanto ouve histórias dos quatro cantos do Brasil
    Não fique mirando lembranças de um passado hostil
    Juntando em pedaços em pedaços o presente surgiu
    O sol que desponta na serra firmando a linha do horizonte
    Levando ao futura a herança de um rico Brasil
    De joelhos a frente da santa sua mão uniu
    Rogando para a Padroeira em gesto gentil
    No dia a dia romaria, lutando a vida esvaiu
    Secando o pranto e cessando a dor desse Brasil

    Parceria - Nico & João Vilarim
    Vem envolvendo meu corpo e mente num belo anoitecer
    Brilho da lua, lume dos olhos essência de um ser
    Me pego sonhando me sinto voando tocando em você
    Tirar tua roupa, beijar tua boca, a mão lhe percorrer
    Pra ninar, teu sonho embalar
    Pra voar, e um sonho te levar
    Pra deixar a vida transformar
    Pra alegrar de novo um coração
    O corpo suado suspiro dobrado o amor acontecer
    Se faz numa dança eterna criança a noite de prazer
    Cair em teus braços como fosse um laço pra nunca te perder
    Se tens minha mente meu corpo presente e o meu envaidecer
    Se eu rezar nas preces me perdi
    Se eu chorar criança me senti
    Se eu cantar em música vivi
    Se eu brincar você no meu coração

    Pedaços De Chão - João Vilarim & Nico
    Deixei a pacata morada beijei meus pais e meus irmãos
    Meu avô quando deu seu abraço : Segue sua vida busca a profissão
    Levei minha trouxa bem feita com um sorriso e a viola na mão
    Olhava pro rumo da estrada sò poeira e mata e um pedaço de pão
    A minha primeira parada foi nos pés de um mangueirão
    Olhava no céu a estrelas tudo a ver comigo adormeci no chão
    Encontrei a primeira cidade foi nos lombos de um caminhão
    Na casa das moças bonitas barganho a comida por minha canção
    Na casa das moças bonitas barganho a comida por minha canção
    Oi vida minha, galope livre feito um alazão
    Cortando o vento distante de casa lembrança, saudade em meu coração
    Oi vida minha, seguem bem longe pedaços de chão
    Com a esquerda ensaio um aceno e apronto a destra pra um aperto de mão
    Meu jeito de andar ligeiro, ou por prova de minha missão
    De forma um sujeito matreiro de um modo atrevido e olhar de pagão
    Saída pelas madrugas sem despedida, amigo ou paixão
    Das janelas espiam escondidas as portas da vida rumo ao estradão
    Das janelas espiam escondidas as portas da vida rumo ao estradão
    Os calos que o tempo marcou semearam minha gratidão
    O almoço quentinho na mesa, o seio, seu ventre minha criação
    Por amor ou por prova de fé dominamos qualquer tentação
    Ligados ao laço do sangue com caminho pra missa com salmo na mão
    Ligados ao laço do sangue com caminho pra missa com salmo na mão
    Aventuras pelo mundo afora seguindo o rumo para a imensidão
    A mata mudando de cores e a passarinhada caçando o verão
    Um calendário jogado a fogueira, nem me lembro qual a ocasião
    Os anos vão devagarinho e eu cortando atalhos pedaços de chão
    Os anos vão devagarinho e eu cortando atalhos pedaços de chão

    Pé Na Estrada - João Vilarim & Nico
    A vida vai acompanhando o tempo e o esquecimento vem montado atrás
    E as lembranças molhando as gargantas e uma história que ficou pra trás
    Os anos passam como um entardecer, passando horas. Ora o que passou?
    Com esperança vou criando calos cantando modas para quem gostou
    A noite vai quando amanhece o dia o dia foi quando o sol se ocultou
    Os sonhos vivem livres nos caminhos a chuva cai quando já se formou
    Madeira vai em alguma derrubada o gado vai quando o carvão mandou
    Capim que cresce na beira da estrada é o alimento à cria que sobrou
    O galo canta e o amanhã surgiu o trigo jaz quando o pão se formou
    A lua vem seguida da seresta a esperança nasce com o amor
    A vida vai como um entardecer o esquecimento, quando se ocultou?
    São as lembranças livres nos caminhos e uma história feita, e o que sobrou

    Pelo Anjo Que Me Guia - João Vilarim
    Eu venho lá do sertão, eu venho para lhe ver
    E trago em minha bagagem um profundo bem querer
    Eu venho de trás dos montes afogando meu penar
    Eu vivo no azul do céu, da cor deste teu olhar
    Plantando versos e flores, regando estrelas do céu
    Querendo colher no encontro das vidas, o sabor do mel
    Vivo estrada e poeira, do dia a dia renascer
    Montado no esquecimento, novo sonho no amanhecer
    Talvez minha ilusão, não é fácil compreender
    O anjo que me guiava transformou-se em você
    Teu corpo o molde das curvas que me trouxe a encontrar
    Nos relevos desta Terra, das montanhas e do mar
    Vou voltar pro meu sertão, não vim só para lhe ver
    Vou levar em minha bagagem uma razão para viver
    No caminho que me trouxe novo rastro se formou
    Hoje volto acompanhado pela luz que me guiou

    Pinho Preguiçoso - João Vilarim & Nico
    Quem dera ouvir o som do pinho preguiçoso
    Ponteado bem manhoso pra fazer a gente sonhar
    Acompanhando um canarinho gorjeoso
    Com seu cantigo choroso pra fazer você ninar
    Quem sabe eu passe a vida inteira nessa terra
    Enfiado na tapera sob a luz do seu olhar
    Deus deu o dom de cumprir com minha sina
    Ver seu jeito de menina e sempre, sempre te amar
    Tenho amigos foram morar pra cidade
    Que perderam a liberdade de ver o galo cantar
    Outros então se esqueceram da idade
    Lá se foi a mocidade que nem gado pra matar
    Aqui no mato tudo é belo e tão divino
    Tem sorriso de menino vira-lata a ladrar
    Tiro as esporas, meu chapéu de aba larga
    Adentro a gruta abençoada e ajoelho pra rezar
    Minha escola e meu diploma é a enxada
    E correndo a invernada para o gado aboiar
    Trocando a seco com a vida os meus grãos
    Transformando em ração pro alimento não faltar
    Cultivo calos que a lida me oferece
    A viola é minha prece quando pego a pontear
    Quem canta espanta e os males afugenta
    Com oração a gente agüenta e aprendemos perdoar
    Tudo que nasce tem seu rumo e seu valor
    Passo a passo o Criador dá sua vida à proteção
    Sublinha a voz de consciência e liberdade
    Trazendo a maturidade que só o tempo pode dar
    Como a semente vagarosa germinando
    Rasga o solo apontando tantas cores combinar
    Do azul do espaço pincelando a natureza
    Surge o Artista na grandeza pondo a mão para pintar

    Relevos Da Terra - João Vilarim & Nico
    Os passos caminham pra um canto de dor
    A vida que nasce sem seu esplendor
    Os sonhos cinzentos dessa revoada
    As noites, manhãs, dias, madrugadas pra ver passar
    A poeira da estrada camufla as araras
    Os micos que somem, nenhuma parada
    Um mar de baleias não faz renascer
    Passado ou presente, viver ou morrer, e esperar
    O machado trabalha numa derrubada
    O homem que ordena mais uma queimada
    Semeiam a peste nos campos da vida
    Plantando a desgraça colhendo a ferida para curar
    A alma empalhada de um Ser Soberano
    Planta, mineral, animal ou ser humano !?
    Seus filhos sedentos por sede de amor
    Por campos alheios provocam a dor e fazem chorar
    As mãos que esculpem os relevos da Terra
    Conquistam espaços sujando-a com guerra
    A noite transporta pra um sono tão belo
    E os dias julgando batendo o martelo. É pra pensar!

    Recompensa - João Vilarim & Nico
    Dito aventura de um menestrel, sei não estar escrito em nenhum papel
    Sei da paciência, sei da persistência de esperar da abelha o seu mel
    Sei da paciência, sei da persistência de esperar da abelha o seu mel
    Cachorro louco em beira de estrada
    Trilhas asfaltadas subindo pro céu
    Igrejas sacudindo os sinos tira o seu chapéu
    A noite nos braços da lua,
    Fuga que é tua reza por um anel
    Adormece na beira do mato fazendo vergel
    Fruto da aventura de um menestrel, rostos que se cobrem com um véu
    Desumanidade, toda crueldade, posto em sua boca o seu fel
    Desumanidade, toda crueldade, posto em sua boca o seu fel
    Cachorro louco volta à sua casa
    Tem sua morada, monta em seu corcel
    Chega de fazer de cama seu velho xeréu
    Dias e noites geladas
    Longas madrugadas faz-se ser fiel
    Colha sua recompensa seu favo de mel

    Renascença - João Vilarim
    Trago na fronte as rugas, e o tempo deixei passar
    O velho pó da estrada que nela ainda pode estar
    Casos e histórias passadas que a vida tanto mostrou
    Nela um riso de mulher que a liberdade conquistou
    Por entre caminhos que Deus modelou
    Quero tentar compreender o sentido das loucas visões
    Consumidas por olhos ingênuos de grandes populações
    Ódio e amores incertos que o homem pode viver
    Portas abertas, futuro chame-os como entender
    Pelos sons da razão que te faz renascer
    Posso tentar percorrer o destino que me escapou
    Corrigindo com dor o juízo que a culpa elucidou
    Percebendo que o sábio delito foi daquele que não pôde errar
    Resumindo seu livro sagrado, perjurando em seu próprio altar
    Consciência e passado não se pode apagar

    Sagrado - João Vilarim & Nico
    Por Você que canto assim os meus versos de liberdade
    Por Você que vivo assim numa eterna mocidade
    Quero não podar meus sentimento pois o mundo que sustento é de pó donde pisei
    O vento sopra um sonho estradeiro varre um rastro boiadeiro da boiada indo além
    Por Você que banha afim de tirar um pecado de guerra
    Por Você que escava afim de esculpir os relevos da Terra
    Água do suor, água da chuva gotejando em suas curvas pras colinas modelar
    Arranca da garganta a sede seca, numa prece em opereta sertaneja a lhe ofertar
    Por Você que tenho fé zelando por nossa riquezas
    Por Você que prova até o limite de nossas fraquezas
    Vem a morte, a dor, alma ferida semeando nova vida que de um corpo se formou
    Gera neste ventre cristalino vindo em forma de um menino que de amor se consagrou
    Por Você que choro assim vendo as marcas da crueldade
    Por Você que imploro sim esperanças para a humanidade
    Gotas desse pranto desta gente faz vingar sua semente ouro verde plantação
    Novas gerações chegando a Terra vem surgindo nova era preservando a Criação

    Seguindo Os Passos Da Imaginação - João Vilarim & Nico
    A vida vive numa esquina, o sonho na imensidão
    As folhas deitam nos caminhos, vou seguindo os passos da imaginação
    O sol que brilha na janela fazendo o presente entrar
    Presente é porta pro futuro, ontem foi ontem feito pra lembrar
    Fartura são os dedos da mão, fartura são os dedos do pé
    Põe eles no pulsar dos dias, põe-se na poeira e volta quando quer
    Fartura é a sabedoria tem livros para quem quiser
    Fartura é feita de um sorriso e está no rosto quando você quer
    Abra o teu livro da vida o teu diário feito de memórias
    Abraça forte o seu destino, faça que seja um marco pra história
    Que fosse imaginar que as lidas foram as batalhas que nos ensinou
    Que os dias começam mais cedo e sempre tem frutos para quem plantou
    Abra o teu livro da vida o teu diário feito de memórias
    Abraça forte o seu destino, faça que seja um marco pra história
    Seguindo a passadas largas, seguir a sina de uma cantador
    A música veio da glória e a sua força vem do Criador

    Semente no chão - João Vilarim
    Seu moço já puxei cabo de enxada, fiz a roça fiz queimada no alto do chapadão
    Seu moço já plantei roça de milho, de arroz, feijão de trigo para não faltar o pão
    Seu moço fiz da seca o alicerce, do suor fiz minha prece, de meus filhos a razão
    Na tapera fiz meu reino, fiz meu mundo, minha moça olhar profundo, meu esteio meu mourão
    Seu moço tive gado na invernada, comitiva desgarrada, fui ponteiro, fui peão
    Seu moço tirei boi da arribada, fui berrante, fui boiada, fui um cocho sem ração
    Seu moço bebi leite na mangueira, fui doutor, fui a “parteira”, fui marcado de ferrão
    Do curral fiz meu lar fiz minha estância, fiz do estrume a fragrância, fiz do pasto meu rincão
    Seu moço já ganhei muito dinheiro lançando boi pantaneiro, em cima de redomão
    Seu moço, já montei em touro brabo em picadeiro fui palhaço, de rodeio campeão
    Seu moço já fui cela, fui arreio, fui roseta, fui tropeiro, fui sedem, fui esporão
    Do laço fiz o rumo minha história, dos pialos fiz vitórias, da arena uma paixão
    Seu moço os caminhos as estradas, que por mim foram trilhadas, não vivi de ilusão
    Seu moço de tudo que foi um dia, fui tristeza, alegria, fui poesia, inspiração
    Seu moço trago os dedos calejados, não de enxada nem machado, de minha voz uma canção
    Do palco fiz de um sonho minha lira, minha viola caipira, a semente de meu chão

    Sertão matuto- João Vilarim
    Nada se compara com a vida na roça a simples palhoça no alto da serra
    O canto do galo acordando o terreiro o gado leiteiro o bezerro que berra
    O sol apontando dispersando a relva a orquestra da selva se mostra a cantar
    O caboclo matuto se embrenha no mato com um fino trato sua mão a calejar
    No fogão de barro a lenha queimando espalhando a fragrância do amanhecer
    Um leite tão puro vindo da mangueira o café na chaleira pro fogo aquecer
    O queijo curado e a broa de milho tratando dos filhos para estudar
    Lá pras dez e pouco prepara a merenda debaixo da tenda pra saborear
    Um solo tão rico tão acolhedor de braços abertos para aconchegar
    A muda de planta ou a nova semente esforço veemente pro pão não faltar
    A água caindo no chão fecundando misturada ao pranto do trabalhador
    Na beira da bica reduz o seu passo lavando o mormaço, o cansaço e o suor
    Na hora da reza o sertão em prece à Deus agradece a boa ventura
    A horta, a tuia, o pomar e a moenda, repleto de prenda cheio de fartura
    No céu vermelhado o Rei ( sol ) se despede promete no outro dia retornar
    A noite descamba repleta de estrelas e a Rainha ( lua ) faceira vem iluminar
    No fim de semana chega a regalia com uma pescaria para relaxar
    Nas festas da roça tem muita alegria, dança de catira pra sapatear
    O som da sanfona alegra o terreiro e um bom violeiro pras modas cantar
    Trazendo o passado perto do presente fazendo a saudade vir nos visitar

    Terra Abençoada - João Vilarim
    Tô de passagem nesta Terra abençoada
    Cinco sentidos levo pra não esquecer
    O doce encanto destes campos e horizontes
    A lua cheia inspirando o envaidecer
    Minhas palavras se perderam pelos contos
    Minha expressão tornou-se bela de se ver
    Aquele toque de viola exalando
    Cheiro do mato sua relva amanhecer
    Brilha um sol, grandioso céu azul
    Tua verde mata encantando meu olhar
    Passarinhada canta linda melodia
    Sopro Divino como é bom este lugar
    Aqui de longe vou acenando pra você
    Noutras paradas mais além eu vou pousar
    Sigo a trilha meu andar vou ruminando
    Até mais ver quando a ti eu retornar

    Terra De Promissão - João Vilarim
    Companheiro te trago notícia da terra boa que nos pariu
    A vida, hora complicada, tornou-se símbolo : um novo Brasil !
    O chão de onde brotava o milho junto a fome pôde emancipar
    Gerando em cada ventre um filho e um novo sábio para se formar
    Agora de cabeça branca a esperança posso projetar
    O ciclo trouxe a liberdade tem gente boa com um novo olhar
    Comparo a Terra com minhas rugas, minha vaidade é envelhecer
    Aqui , um pouco aprendi, espero um dia possa lhe rever
    Companheiro foram tantas lutas, tantas labutas para conquistar
    Falsos valores a espera do dia em que a Justiça pudesse julgar
    Irrigando o campo com as lágrimas, o adubo foi contraversão
    Semeando a fome em quatro cantos e uma longa espera para colher o pão
    Hoje o branco nos mostra a nobreza, caminhada em busca da paz
    O azul, os olhos do universo e as profundezas que se vê no mar
    Comparo o amarelo ao ouro, nossa riqueza é a nossa missão
    O verde é a cor da roçada, alimentando a nova geração

    Truco no bar do Brás - João Vilarim
    No domingo bem cedinho fui pra vila passear
    Parei na venda do Brás pra uma pinga tomar
    Vi uma coisa medonha me assusta pra contar
    Vi seis marrecos brigando fazendo o milho pular
    Com tanto xingo e desaforo, parecia valer ouro a trucada do lugar
    Os times bem divididos pra não ficar desigual
    De um lado Tonho Mineiro, Gercino e o Juvenal
    Do outro tava o Zé Preto, Florindo e o Sandoval
    Por fora dessa disputa, ficou de fora o Marçal
    Também de fora palpitando, Mané Pedro e o Orlando, Chiquinho e também o Val
    No meio da brincadeira eu escuto alguém trucar
    Virei pra ver o ocorrido, Zé Preto que ia jogar
    Piscou e bateu no peito mandando se descartar
    Deixando passar a primeira, mandou Gercino tornar
    O moço empalideceu jogou a carta e torceu pro parceiro não amarrar
    Antes de jogar a carta Juvenal viu se podia
    Matar a primeira de com três e tornava a espadia
    Certinho ele pensou tinha carta a riveria
    - Fazendo logo a primeira é um caminhão de melancia !
    O Zé Preto e o Sandoval quase se pega de pau, tava faltando mania
    E foi uma gritaria quando seis Tonho gritou
    Escondendo o sete ouro, a pestana levantou
    Zé Preto olhou pras cartas a seisada ele aceitou
    Em cima da espadia o zape ele gastou
    Nove tento ele pedia pra mostrar sua mania e um doze ele escutou
    O Zé Preto cobriu toco mas na hora não pensou
    Se os parceiros tinham carta ninguém se manifestou
    Jogando o sete copa carta de maior valor
    Nesta hora ele sorria a partida ele ganhou
    Quando Tonho se revolta na mão outro sete copa no jogo alguém roubou

    Um sonho e um segredo - João Vilarim
    Quem vê as estrelas pode sonhar
    Quem tem o sossego pra paz rogar, rogar
    Nos pulos da festa catira dançar
    Com chapéu na testa pra terra lavrar, lavrar
    Quem tem o dinheiro não pensa em gastar 
    Quem tem esperança não pega a chorar
    Conduz a canção não é o cancioneiro
    Quem parte pra guerra não é o guerrilheiro, não
    Quem tem uma lua pra consolar
    Quem vê suas crias se alegra a brincar, brincar
    Na rede se deita pra namorar
    O suor a espreita querendo rolar, rolar
    Quem tem a morena não pensa em largar
    Quem tem verve amor não pode pecar
    Quem tem a boiada não é o boiadeiro
    Conduz a viola não é o violeiro, não
    No sertão, no coração

    Vida Do Interior - João Vilarim & Nico
    Ah! Vida do interior {2 vezes}
    De manhã cedo, antes do galo cantar
    Pulo logo bem primeiro para a lida começar
    O meu café lá no bule já passado
    Feito num fogão de barro que é pro gosto apurar, apurar
    Eu junto a rês num galope com meu baio
    Levo o trato no balaio para ordenha eu começa
    O leite puro com escuma no caneco
    Junto conhaque e desperto que é pro gosto apurar, apurar
    As dez e pouco tá na hora do almoço
    Vou pra casa bem disposto mas não deixo de notar
    Cheiro de cana do alambique ali do lado
    Dou um trago no gargalo que é pro gosto apurar, apurar
    Corro o chiqueiro, o galinheiro e o pesqueiro
    Trato a horta e o viveiro pra não me preocupar
    Pego na enxada arranco as ervas mais daninhas
    Apanho as frutas madurinhas que é pro gosto apurar, apurar
    De tardezinha eu junto com a prenda minha
    Tiro ela da cozinha para a gente namorar
    Largo o cansaço, tiro a bota e meu chapéu
    Dou-lhe um beijo e vou pro céu que é pro gosto apurar, apurar
    Domingo à tarde reuno meus companheiros
    Truvo um truco no terreiro mas não deixo nem faltar
    Uma cachaça que acompanha a galinhada
    Junto à sombra balançada que é pro gosto apurar, apurar
    Truco de zape e de blefe vem a resposta
    “Meto seis no sete copa vejo o pato espernear”
    Eu “cubro toco”: “Reboque de igreja veia”!
    Pisco o olho e dou idéia que é pro gosto apurar, apurar
    O sol nascente lá no alto lá da serra
    Vem trazendo a primavera eterna neste lugar
    No interior até onde a vista alcança
    De mãos dadas à esperança pra vida continuar, e apurar

    Vida No Curral - João Vilarim
    Me valeu a dor no corpo este golpe de esperança
    Pra levar-me nesta lida
    Um plantador de solidão coletor de emoção
    Pelos cantos desta vida
    Cercar seus sonhos que adianta acordar
    Pasto a pasto relembrar, gado velho e o berrante
    Em cada lua, cada estrela, cada história
    Fragmento de memória : somos só imaginação!
    Desamarre estes laços não desfaça dos abraços
    Deixe aos poucos lhe apertar
    Passado queima, o presente fere o futuro que lhe espere
    Pra tua vida aboiar
    Vai poente somo longe no horizonte
    Vai matar sua saudade, gado velho e o berrante
    Vem poeta abraçar forte tuas lembranças
    Faz dos contos da garganta tua grande inspiração

    Vôo Colibri - João Vilarim & Nico
    Muge a vaca preguiçosa
    Canta meu galo brigador
    Meu cachorro vira-lata
    Abana o rabo quer saber aonde vou
    Subir no morro ver o mundo todo abaixo
    Esquecer do meu cansaço e da pequena beija-flor
    E fecho os olhos me enchendo de esperança
    Sonhando que nem criança só eu sei pra onde vou
    Ser curioso querer ver tudo de perto
    Conhecer o colorido que a televisão mostrou
    Passando o tempo vai chegando a minha hora
    Na hora de ir embora vou deixar a beija-flor
    Caranguejando passo a passo vou de lado
    Como um peixe sangue frio por tudo me admirar
    Batendo assas pra esse mundo tão sisudo
    Um beija-flor quer beijar tudo tendo a vida pra sugar
    Caso consiga embrenhar na profissão
    Viola ou violão todos dois eu sei tocar
    Se ao contrário se não for a minha sina
    Peço a Deus que me ilumine a beija-flor vou procurar

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