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Home > Poesia > Do fim ao começo

Do fim ao começo

Por vezes penso que querer não é poder
O “poder” é o próprio querer
É querer estar, viver em plenitude
A vida sempre aproxima-se da morte
Porém queremos a vida
Conclusivamente a morte vem na garupa
E ela, a morte, surge repentinamente
Como o raia do dia que teima em nascer
Todo dia, conclusivamente na mesma hora
E a noite no fim do dia chega
Sempre o começo de pois de um fim
Irônico, não?
Acho que estamos vivendo nossa morte...
E não a vida com ela é propriamente dita
Nossa vida é além,
Aquilo que entendemos por morte
Vivemos hoje no purgatório ou no inferno se preferir
E nasceremos quando morrermos...
Depois do fim o começo
Daí o começo depois o fim
A flor suga do âmago da terra sua força vital
Sua energia consiste na sucção
Matando a terra aos poucos
Porém, em seu pólen há vida
Irônico não?
Antagônica vida
Subjetiva, pulando de túmulo em túmulo
A vida (ou a morte) é assim
Deixa marca por onde passa
Damos a vida à própria vida
Levando-a a própria morte...
Para renascer, sempre
Ininterruptamente...
Infinitamente...
Do fim ao começo!

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