Apenas toque!
Toque! Ouvi uma voz a dizer-me sem direção definida Continuei a olhar a lua, tomando um paciencioso trago...
Toque para mim! Incógnito, sem ação, achei ser voz do inconsciente Continuando a tragar, acendi um cigarro
Toca pra mim sua viola... Inconformado: ora espantado, ora risos Mantive-me ali, soltando fumaça...
Toque pra mim sua viola, qualquer uma delas... Obstinado a ver de onde vinha aquela voz Parei... outra latinha aberta... esperando...
Apenas toque, quero te ouvir... Uma voz feminina pude perceber ali Voz rouca, direta e sem melindres
Toca vai... apenas um acorde... Olhei ao lado, estava só, absurdamente só... Lua, estrelas, a noite... negro infinito
Quero ouvir você... toca... A voz foi transformando-se... um carinho Específica ternura... admiração
Rasga este silêncio, toca! Senti-me aconchegado, seguro, porém perplexo Aquela abraço apaixonado... pude sentir seu toque
Quero te ver tocar... sou toda ouvidos! Um afago em meus cabelos Um sussurro em minha orelha... arrepio!
Você é todo meu som, toda minha música... toque! E a leveza de suas mãos delicadas fez-se afagos Senti meu coração disparar...
Toca vai? Estremeceu meu lado mais íntimo desta vez Minha masculinidade rendeu-se...
Toca meu amor, toca... Sem mais resistir, emocionado e em prantos de felicidade Por fim... tomei a viola nos braços E toquei, apenas toquei pra ela Ainda sim, sem saber pra quem...
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