Braços abertos
Se me perguntarem por onde andei nestes anos todos, Responderei: Estive pó aí, no tempo, no vento... a intenção de voar... Estive colhendo frutos outrora plantados por poetas Desvairados e loucos, espelhados pelo mundo Atlântida, Egito, Assíria, Mesopotâmia, Mongólia... Em versos dispersos me perdi... Por vezes, anoiteci em poesias, amanhecia em versos Vickings, druidas, mouros, astecas As línguas que vi e ouvi pelas viagens Você jamais poderá imaginar Anestesiado em meu ópio, meu vício Em esperanto, a prendi a divina língua Onde pude transcrever o amor, divino verbo Em meio a guerras e conquistas Pude ver o amor, seguí-lo... Entre sangue, mutilações e medo... Pude observá-lo e tirar do éter a sua essência N meu âmago, bravura de guerreiro Um guerreiro me fiz entre papiros e penas Hoje envolto em uma espécie de máquina Onde letras agrupadas... apenas tocá-las Mas ainda as idéias, sim a idéias Desconexas, jogadas ao léu Lembranças tão claras envoltas em véu Obscuro futuro Hoje fantasmas da idade média me assombram A decapitação da palavra, a moral esquartejada Um sentimento que é queimado... E sempre aquele que contraria as leis mundanas É queimado pelo carrasco da ignorância É jogado no calabouço da incompreensão Qual será a condenação de quem ama? O próprio amor...ele neste mundo lúgubre, Já se faz pior que a morte Enclausurado em nosso templo, não podemos rezar Carregamos nossa cruz, imunes a imolação Eternamente em nossos ombros E nossas chagas a dilacerarem-se Feridas abertas, coroa a nos coroarem reis Sacrifícios abertos s nos coroarem ladrões Braços abertos, a nos consagrarem...
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